domingo, 2 de maio de 2021

Sobre as imposições da sociedade

Gostamos todos muito de dizer que as coisas estão melhores e que já não temos tantas imposições ou não nos sentimos tão pressionados. Pode ser que seja verdade, mas também é verdade que ainda há muita gente com o pensamento "antigo" e com muita vontade de mandar uma ou duas postas de pescada sobre a vida dos outros. A nossa vida é nossa e a nós pertence, que isto seja uma coisa que fique bem claro na cabeça de todos nós. Crescemos rodeados de pessoas que nos dizem quando é a idade certa para ter o primeiro namorado, para dar o primeiro beijo, para fazer sexo pela primeira vez... Se não fazemos estas coisas nos prazos ditos "normais" é sinal de que está algo de errado connosco. Durante muitos anos eu própria achei que estava algo de errado comigo porque não estava a viver as mesmas experiências ao mesmo tempo que as miúdas da minha idade. Lógico que nada de mal se passava (ou passa) comigo e mais tarde percebi que não existe um tempo certo para viver seja o que for. Ou melhor, o tempo certo existe, mas é algo diferente para cada pessoa, e está tudo bem e normal em ser assim. Somos todos pessoas diferentes, com vontades diferentes e tempos diferentes, ainda assim insistem durante toda a nossa vida em limitar as nossas vivências no tempo. Desde um bebé que não começou a falar quando era esperado a uma mulher que deu o primeiro beijo depois dos 20. Dizem-nos para aceitarmos as nossas diferenças, mas ninguém nos educa para aceitarmos o nosso tempo interno. O próximo passo esperado de uma relação amorosa com muitos anos é o casamento, e consequentemente, ter um filho, e depois do primeiro filho, ter o segundo. Nunca me vi numa situação destas, mas reconheço que deve ser difícil não ceder, não fazer o que esperam de nós. Se estivermos rodeados de gente que nos empurra para casar, é natural que o façamos, nem que seja porque nos é indiferente e assim fazemos a nossa mãe/tia/prima/vizinha feliz. Lamento dizer-vos, mas então isto não está a ser a concretização de uma vontade vossa. Deixaram-se empurrar para um desfecho que não estava nos vossos planos. Talvez até fosse uma vontade vossa casar/namorar/ter filhos, o que seja, algures no tempo, mas ao fazerem a vontade aos outros, não respeitaram o vosso timing. Já pararam para pensar nas consequências de decisões tomadas por um empurrão? Podem estar a dar um passo maior do que a perna, algo para o qual ainda não estavam preparados ou nem queriam! Não tem mal fazer as coisas "mais tarde" ou fora do tempo considerado "normal". Volto a dizer que o "normal" não existe. O que devia ser normal era sermos capazes de respeitar a nossa vontade no nosso próprio tempo, e não nos deixarmos pressionar, nem fazer pressão sobre os outros. Talvez se nos soubéssemos ouvir melhor, houvessem menos casamentos falhados e menos filhos com carência de amor dos pais. Tenho quase a certeza que em algum momento da vossa vida já sentiram que estão a ficar para trás, que já deviam ter atingido certo patamar na vida, eu sei que já senti. Peço-vos que olhem para vocês mesmos e façam um exercício que eu faço tantas vezes: o que é que EU quero? Respondam a esta pergunta com franqueza e não tenham medo de dizer às pessoas que vos rodeiam quais são as vossas vontades e objetivos. Não se deixem levar por arrasto em decisões tomadas por outras pessoas. Às vezes é uma mãe que quer muito que vocês se casem ou um marido que quer muito ser pai, e aceitamos, e seguimos por um caminho que não era o nosso só porque "não me faz assim tanta diferença" ou "era algo que ia querer eventualmente, porque não já?". Termos respeito e amor próprio passa por aceitar e compreender o que queremos e quando o queremos, nunca se esqueçam disso. Está certo que não é a postura mais confortável a tomar perante as pessoas que nos estão a tentar pressionar, mas é algo que nos vai poupar muita chatice e desgosto mais tarde na vida, tanto a nós como aos nossos parceiros ou a futuros filhos que possam surgir, que às tantas nem eram assim tão desejados, mas a mãe queria muito ser avó. Tenho a sorte de saber o que quero e de não ter gente à minha volta a pressionar-me para que faça o contrário. No entanto, também vos digo que há muita coisa que se afasta de nós por termos esta atitude (por alguns vista como radical) perante a vida. Mas bolas, é a nossa vida! E como digo tanta vez: o que é para nós, a nós vai chegar. Por isso não faz mal se o suposto amor da vossa vida vos deixou porque não queriam ser mães. Melhor terminar já do que haver um compromisso infeliz para alguma das partes mais tarde. Cuidem de vocês e mantenham bem firmes as vossas vontades. Tudo o resto logo há-de encaixar. Beijinhos e até já ❤️

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Mais perto que ontem

Deixo-vos com um texto curtinho para vos contar que há 7 meses tinha mais 8kg do que tenho hoje! Não tinha uma rotina de treino estabelecida. Tinha menos força e menos resistência. Estava mais predisposta a ataques de ansiedade. Hoje estou melhor. Ainda estou longe, muito longe, do lugar onde quero estar, mas estou mais perto que ontem. Tenho agora mais consciência de mim mesma e dos meus hábitos. Recuperei confiança na minha pessoa. Continuo a ter preguiça para treinar e a cometer erros com a alimentação, verdade. Ninguém consegue resolver problemas de anos num espaço de meses. Mas está tudo bem em não estar tudo bem. A mim dá-me segurança saber que, mesmo com falhas, faço todos os dias um pouco mais para chegar à melhor versão de mim! Façam o mesmo e vão ver que a vida assim custa menos. Até já ❤️

segunda-feira, 22 de março de 2021

Recomeçar

A Primavera é sinónimo de recomeço ou não? A chegada dos dias com mais horas de luz solar deixam toda gente mais bem disposta e com vontade de fazer coisas! A inércia de estar em confinamento (e desempregada) deixa-me deprimida e confesso que ter o sol mais presente nos meus dias é sem dúvida uma mais valia. Uma das coisas que percebi sobre mim ultimamente é que só me sinto feliz e realizada se estiver a fazer coisas. Tenho dividido os dias entre arrumações em casa, as minhas auto aulas de piano e as pinturas/trabalhos manuais que vou fazendo para me entreter. Às vezes sinto que exijo demasiado de mim, aliás, tenho a certeza disto! Quero fazer tudo e conseguir chegar ao fim do dia com a to do list toda riscada, mesmo que tenha escrito nela pontos para uma semana inteira. Quero os planos todos executados para ontem porque não tenho paciência para esperar pelo resultado que quero. Fico desmotivada por não conseguir resultados imediatos e desisto. "Desisto" talvez seja uma palavra demasiado forte. O que acontece é que meto o projeto em pausa. E foi isto que aconteceu com o meu negócio que vos falei aqui. Deixei as coisas em pausa, meio por preguiça, meio por falta de resultados. O que é obviamente uma estupidez, porque parada é que não vou mesmo ter resultados. Agora, com o entusiamo do sol e dos dias mais compridos e com a esperança que a Primavera deixe as pessoas com mais vontade de comprar/usar peças giras decidi recomeçar e fazer melhor. Dar um up na página e nos designs. Quero ser ainda mais cuidadosa com o todo o processo, desde a produção dos brincos à publicação dos conteúdos na página. E malta, estas coisas por mais fáceis que pareçam ser quando estamos apenas a ver, conseguem ser bastante trabalhosas e consumir bastante tempo também. Mas tempo é o que não me falta não é verdade? E toda a minha formação académica do último ano foi muito à volta disto de criar conteúdos. Por isso bora lá! Qual foi o primeiro passo perguntam vocês: renovar completamente o meu home office. Claro malta, vocês já sabem, eu não faço nada da maneira mais simples. Acabo sempre por ir dar uma volta gigante sem necessidade, mas na minha cabeça só assim faz sentido. Só estou bem a criar as minhas artes se estiver num espaço que seja funcional e esteja visualmente agradável e organizado. Organizado o meu escritório já estava. Faltava-me apenas um pouco mais de espaço de arrumação, e principalmente arrumação a que eu conseguisse aceder sem esforço. O espaço é muito pequeno e o único módulo de gavetas que eu tinha era quase impossível de aceder porque estava preso num canto. Solucionei o meu problema com uma bela (e barata) secretária do IKEA, daquelas mesmo básicas, gavetas num lado, pernas no outro. Ganhei uma gaveta, e mais importante de tudo, consigo aceder a tudo mega facilmente! Alto entusiasmo com uma coisa tão básica já viram? Mas é mesmo assim, eu sou feliz com pouco. E claro, como trocar de mobília era demasiado simples, achei que era boa ideia aproveitar para pintar as paredes. Já não podia ver aquele verde à frente, e a cor já estava com um aspeto gasto e sujo. Optei por uma cor mais clara, num tom completamente diferente e que eu acho ser mais de "gente crescida" (esperem só pela Madalena do futuro a odiar tudo isto). Foi um fim de semana de trabalho árduo nas pinturas (agradeço às horas de ginásio que me fazem mais forte e me protegem das dores musculares no dia seguinte a estas andanças).  Terminei este projeto há poucas horas e agora, com tudo no lugar e pintado de fresco, posso dizer que me sinto em condições de pegar nos projetos que andava a adiar por preguiça e por medo de falhar. Esta volta toda para vos dizer que não tenham medo de ir pelo caminho mais longo e trabalhoso se souberem que é esse caminho que têm de percorrer para chegar onde querem. Eu sei que precisava disto. E mesmo que as outras pessoas não compreendam as nossas decisões, não tenham medo de fazer o que vos faz bem. Seja trocar a mobília, deixar o emprego tóxico, mudar o vosso estilo de vida, façam o que tiverem de fazer para se sentirem mais vocês próprios. E que tenhamos sempre presente que por vezes para podermos recomeçar, temos de dar uns quantos passos atrás. Beijinhos, boa semana e até já ❤

domingo, 14 de março de 2021

Filmes que vi esta semana #1

Como sabem estou cheia de tempo livre e algum desse tempo tem sido para ver filmes. Tenho toda uma lista, mas ainda não peguei nos clássicos (shame on me) nem na mega maratona que tenho planeado para fazer em breve dos filmes da Marvel. Esta semana vi três filmes que gostei bastante e quero partilhar com vocês. Provavelmente vou trazer este tipo de partilha mais vezes e aproveito também para vos deixar à vontade para me sugerir filmes nos comentários. 


        


Extracurricular Activities (2019) 

The Hitman's Bodyguard (2017)       

Yesterday (2019)

Adorei os três e diverti-me a ver todos. Não vos vou estar a massacrar com sinopses, por isso deixei-vos os links para as respetivas páginas de Imdb se quiserem saber mais. Acho que o enredo que mais gostei foi o do Extracurricular Activities. Ainda que tenha achado o final um pouco previsível, gostei de ver e acho que está uma narrativa inteligente. O Yesterday achei brilhante para quem adora música. Juro que a certo ponto do filme vão dar por vocês a cantar com as personagens! E o The Hitman's Bodyguard é um filme de ação cheio de piada mesmo ao estilo do Ryan Reynolds. São os três ótimos filmes para passar um bom bocado. 

Digam-me nos comentários se já viram algum destes filmes ou se ficaram curiosos para ver. Não se esqueçam de deixar as vossas sugestões. Beijinhos e até já ❤

Dia 365 de Março

Um ano a viver neste infindável mês de março.
Foi no dia 13 de março de 2020 que estive pela última vez a trabalhar no escritório. Nessa tarde de sexta-feira vim para casa de computador debaixo do braço, pronta para começar a trabalhar remotamente. Ainda ninguém sabia bem por quanto tempo. Para mim acabou por ser até ao final do meu contrato. Foram 10 meses de teletrabalho e outros quantos de aulas online da pós-graduação. Foi apenas há um ano mas parece que já é uma coisa tão distante. Nunca tinha tido a experiência de trabalhar a partir de casa. Admito que os primeiros meses foram estranhos. Passar do ambiente movimentado do escritório para conversas de WhatsApp, chamadas no Teams e troca de e-mails foi uma adaptação interessante. Ainda assim, gostei bastante. Rapidamente me habituei ao novo ritmo e pude confirmar que me organizo igualmente bem estando ou não no escritório. Depois pude retomar o ginásio e foi ótimo ter finalmente tempo para encaixar o exercício no meio do dia de trabalho. E agora, as últimas semanas também têm sido de adaptação. Divido os meus dias entre a procura de emprego, os momentos de treino no piano, exercício em casa, enfim, tudo o que seja possível fazer para os dias irem passando com leveza. Acho que o mais difícil deste ano (e acredito que muitos de vocês vão concordar comigo) foi lidar com a relação com os outros à distância. Tenho saudades de passar tempo com os meus amigos fora dos chats e chamadas de vídeo. Senti falta da família toda junta no Natal. Acho que é por isto que estamos todos ansiosos: o retomar das atividades com quem mais gostamos. Isto e os espetáculos (e o Carnaval malta!!!) Se são como eu e não dispensam um bom concerto, uma ida ao teatro ou um filme no cinema, já devem estar a ressacar completamente tudo isto. Ainda não consigo ver um futuro em que seja possível retomar concertos nos moldes pré-covid, mas espero que no próximo ano as coisas estejam controladas ao ponto de se começar a pensar nisso. Amanhã desconfinamos novamente. Não que eu vá modificar alguma coisa na minha rotina, mas é bom ver algum comércio a retomar, mesmo que com todas as restrições que ainda existem. Muitas são patetas, é verdade, mas também é verdade que não se pode agradar a todos os serviços e pessoas. É natural que com uma nova abertura de portas as coisas voltem a piorar um pouco. Ainda assim quero acreditar que as vacinas vão continuar a chegar e que cada dia que passar é um dia mais perto do normal pelo qual todos ansiamos. Mantenham-se o mais resguardados que puderem. Cuidem de vocês e dos vossos. E nunca deixem de procurar a luz ao fundo do túnel. Até já ❤

quinta-feira, 4 de março de 2021

O que a prática regular de exercício fez por mim

Em 2016 inscrevi-me num ginásio. Estava convencidíssima que ia mudar de vida. Não aconteceu. Não sei como é a vossa relação com o exercício físico, mas a minha é uma relação complicada, sempre foi. Desde que me lembro sempre tive peso a mais e sempre gostei demasiado de comer. Durante muitos anos estive realmente desconfortável com o meu aspeto, mas felizmente agora é algo que consigo aceitar e gostar e não deixo de viver a minha vida por a minha roupa ser toda XL. Foi preciso pôr na cabeça que importa mais como eu me sinto do que aquilo que os outros dizem e pensam de mim. Ainda que continue a existir imensa gordofobia por aí e que muitas vezes eu me deixe afetar por comentários desagradáveis. Nunca consegui ser muito regular nas idas ao ginásio. Honestamente é um ambiente que me incomoda, está toda gente demasiado feliz e todos insistem em meter conversa e ser mega entusiásticos. E se eu já não adoro a prática de exercício, gosto ainda menos que insistam em perturbar a minha paz quando tudo o que eu quero é despachar aqueles 30 minutos e ir dormir. Por isso, fui durante uns tempos nos dias em que tinha mais paciência para aturar aquilo tudo e até criei uma rotina gira com algumas aulas de grupo que gostava bastante. Acontece que depois de terem cancelado essas aulas que eu gostava, os dias em que tinha paciência para me deslocar até ao ginásio e treinar deixaram de existir. Saía demasiado cedo para Lisboa para ir trabalhar e voltava demasiado tarde para ainda me ir enfiar num ginásio. Estive mais ou menos um ano a pagar sem pôr lá os pés uma única vez (quem nunca?). E depois, covid aconteceu! E os ginásios fecharam. E fechou tudo. E quando voltaram a abrir, eu estava em teletrabalho, com horário reduzido, e encontrei no ginásio uma forma de sair da minha rotina caseira. E malta, o que eu adorei o ginásio em tempos de covid! Literalmente, cada um no seu quadrado! Todas as zonas marcadas no chão, distância entre máquinas, distância entre pessoas. Acabaram os hi-fives, acabaram as aulas com o estúdio a transbordar de gente. Amém 🙌 Acredito que para muita gente tenha sido triste ver as coisas assim, mas eu confesso que adorei o espaço a mais e o entusiasmo a menos. Tanto adorei que, ao fim de quatro anos, consegui finalmente criar uma rotina de treino! Comecei a ir nunca menos que três vezes por semana e ao fim de uns dois/três meses até comecei a ter treino acompanhado, na tentativa de explorar um pouco mais a sala de exercício e conseguir aproveitar melhor o tempo despendido no ginásio. E claro, como sabemos, o covid voltou a rebentar e os ginásios voltaram a fechar. Felizmente, tenho conseguido manter os meus treinos e continuo a ter treino personalizado uma vez por semana, tudo online. Não sei como funciona com os outros ginásios, mas o meu faz um esforço tremendo para continuar a dar todas as condições aos sócios para que continuemos a treinar. Suponho que fazem o que podem para se manter em funcionamento, mesmo com as portas fechadas. Temos aulas online o dia todo, algumas em direto e outras gravadas, continuamos a ter os treinos personalizados e até há a opção de alugar algum material do ginásio para que seja tudo o mais normal possível no conforto da nossa casa. Eu aluguei apenas um step, porque o resto das aulas que faço consigo desenrascar com alguns halteres e coisas do género que já tinha por casa. E a verdade é que para muitos exercícios basta apenas o peso do corpo e já são bem desafiantes.

Agora, não pensem que por causa desta rotina toda eu comecei a adorar fazer exercício. Não malta, a minha relação com o exercício físico continua complicada. Raras, muito raras, são as vezes em que me apetece treinar. Mas o pós treino e os resultados a longo prazo valem aquela 1h30 de sofrimento por semana. A verdade é que os 30 minutos de treino passam a voar e a parte mais difícil é mesmo começar (e no caso de quando o ginásio estava aberto, ir até lá). Ainda tenho muitos exercícios que odeio e me custam MUITO a fazer, mas também não preciso de fazer tudo e com o acompanhamento percebi que há sempre uma opção adequada a cada um. Emagreci sim, não o suficiente para deixar de ter peso a mais porque não sei fechar a boca e muitas vezes continuo a fazer más escolhas no campo da alimentação, mas honestamente para mim a perda de peso não é tudo. Claro que foi confortável conseguir voltar a vestir as calças que tinham deixado de servir durante o confinamento passado, mas foi ainda melhor sentir-me mais ativa e menos cansada no meu dia-a-dia. Sinto diferença no volume do meu corpo e tenho sem dúvida mais força, principalmente a nível de braços. Reconheço também que o exercício tem o poder de me limpar a cabeça de porcarias sem jeito nenhum e é ótimo para me deixar cansada e me fazer dormir a noite toda. O objetivo em 2016 era perder peso, e agora passa muito mais por me sentir bem. Claro que a perda de peso estará sempre diretamente ligada a isso porque para ser realmente saudável eu preciso de baixar os números da balança, mas vejo mais isto como uma consequência boa do que como o objetivo principal. O treino personalizado não é barato, mas teve um impacto muito positivo na maneira como eu encaro tudo isto. Tenho aprendido muito e sei que ao voltar à sala de exercício do ginásio já não vou parecer uma barata tonta perdida no meio das máquinas sem saber o que fazer. Não é uma coisa que eu acho que se deva manter para sempre porque ao fim de um tempo já se conseguem orientar bem sozinhos e estão só a gastar mais dinheiro atoa, mas é um bom começo se querem implementar uma rotina regular de exercício e não o conseguem fazer sozinhos. O ginásio continua a não ser o meu sítio favorito do mundo, mas confesso que é um bom escape ao corrupio que é a vida. Treinar em casa, mesmo que a assistir às aulas no zoom, é uma treta e sinto-me sempre ridícula. Ainda assim, o importante é fazer alguma coisa pela nossa saúde, mental e física. Idealmente gostava de incluir na minha rotina de treino umas caminhadas ou corridas quem sabe  mas continuo a ter muita preguiça para sair de casa e me pôr a mexer. Lá está o que custa é começar. Espero não ter sido demasiado maçadora com todo este assunto. Espero que tenham gostado e que encontrem a melhor forma de cuidar de vocês. Até já ❤

quarta-feira, 3 de março de 2021

5 coisas simples para enfrentar dias difíceis

Estamos todos um bocadinho a dar em doidos não é verdade? E por muito positiva que seja a nossa atitude perante as adversidades da vida, todos temos dias em que acabamos por nos sentir um pouco à deriva e sem vontade de existir. A primeira coisa a fazer nestes casos é aceitar e perceber que isto é normal e que amanhã o dia vai provavelmente ser melhor. Deixo-vos uma breve lista com cinco coisas simples em que se podem focar de maneira a enfrentar com sucesso os dias mais difíceis. (a ordem é irrelevante)

1. Não saltar refeições e beber líquidos. Se estiverem a ter um dia daqueles em que nem vos apetece sair da cama, por favor, façam um esforço para comer bem e beber líquidos. Não saltem o almoço, não se descuidem com o lanche e não se vão deitar sem jantar. Não precisam de comer um banquete se não tiverem vontade para tal, mas tentem manter-se alimentados e hidratados. Estão aborrecidos, façam uma pausa no aborrecimento e bebam um grande copo de água enquanto experimentam uma das mil receitas que têm nos posts guardados do Instagram.

2. Tenham um passatempo que vos dê prazer. Para mim isto são coisas como pintar, ler ou tocar piano (aprender a tocar aliás, ainda estou muito no início). Mas basicamente o importante é terem algo em que se possam focar durante umas horas e que independentemente do quão mau estiver a ser o dia, vocês tenham vontade de o fazer. Eu tenho sempre à mão o meu livro de colorir favorito e uma caixa de lápis de cor.

3. Fazer a cama. Aquele passo básico que é um bom ponto de partida para qualquer dia correr melhor. Isto vai deixar-vos o quarto mais arrumado e, muito importante, vai ser um obstáculo para tornar mais difícil a vontade de voltar para a cama. Para mim resulta muito bem nos dias em que só me apetece estar dentro dos lençóis. Com a cama toda bonitinha nem dá vontade de estragar. Experimentem. 

4. Tomar banho. Parece óbvio não é? Mas a verdade é que um bom banho faz milagres. Deixem no duche tudo aquilo que vos está a incomodar a mente (ou tentem pelo menos) e aproveitem esse tempo para relaxar. Se gostarem, também podem aproveitar para fazer uma máscara ou passar um exfoliante. Usem este tempo para se valorizarem e cuidarem um pouco mais de vocês do que o habitual do dia a dia. Isto também vale para quem gosta de experimentar novos looks de maquilhagem ou para quem (como eu) ainda não aperfeiçoou a arte de fazer um bom eyeliner e precisa de treinar.

5. Vejam o vosso filme/série favorito. Para mim qualquer um da saga do Harry Potter e uns dois ou três episódios seguidos de How I Met Your Mother são remédio santo! Vejam algo que vos inspire, vos relaxe e vos motive. A vossa cabeça vai estar ocupada durante aquelas horas e no final vão estar certamente mais bem dispostos.

Outra coisa que também me ajuda muito nestas alturas é tentar concluir tarefas pequenas que tenho vindo a adiar há algum tempo, como por exemplo organizar uma gaveta cheia de tralha ou escolher roupa que já não uso para doação. É uma forma de no fim do dia sentir que consegui ser produtiva e sinto-me sempre mais em paz sabendo que tenho as coisas organizadas. E outra também, é fazer exercício. Uns minutos de cardio ou musculação podem fazer milagres à vossa cabeça, acreditem! E no fim ou estão mais motivados para enfrentar as dificuldades ou cansados o suficiente para dormir uma boa noite de sono. E já agora, metam música a tocar e dancem sozinhos! Nada levanta mais o espírito do que cantar e dançar sem ninguém estar a ver. Parece pateta, mas é incrível, experimentem. 

E vocês, o que é que costumam fazer para enfrentar os dias mais complicados? 

Contem-me tudo nos comentários. Até já. ❤

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Sobre conhecer pessoas novas

Não sentem que quando estão naquela fase inicial do que é conhecer alguém também acabam por se conhecer um pouco melhor a vocês mesmos? Agora, com a pandemia e todo o tempo que passamos longe uns dos outros, conhecer pessoas novas tornou-se um desafio. Ok, para mim já era um pouco desafiante porque como muitos de vocês provavelmente sabem ou já deduziram: eu não adoro pessoas! Quer dizer, eu adoro as minhas pessoas, pessoas fora desse círculo é mais difícil. Já não temos a dinâmica de conhecer pessoas no escritório porque não estamos no escritório, estamos em casa, possivelmente na mesa da sala com o portátil ligado remotamente ao nosso lugar na empresa. Também ficou difícil meter conversa com as pessoas nos transportes, porque (se tivermos essa sorte) nunca mais lá entrámos. E a menos que vocês sejam adeptos de fazer novos amigos no supermercado, não nos restam muitas mais opções sem recorrer ao mundo digital. Às vezes pergunto-me quanto tempo irá passar até que eu pare de me lembrar dos Digimon sempre que digo "mundo digital". Olá redes sociais e olá tentar conhecer as pessoas apenas por conversas que se iniciam com um pedido para seguir e uma resposta a um story do insta. Olá a todas a tentativas, umas mais originais que outras, que existem para meter conversa, e pior, fazer uma conversa durar. Não sou nenhuma visionária, mas deixo-vos uma dica: façam perguntas e respondam a perguntas! Perguntas dão origem a respostas, que dão origem a mais conversa. Aproveito para vos dizer já que se esta tática não está a resultar para vocês, então é provável que a pessoa com quem estão a tentar alimentar uma conversa não quer realmente falar com vocês. E aqui acho que podemos introduzir uma questão que pensei no outro dia: será esta conversa apenas e só alimentada pelo facto dos contactos estarem reduzidos e dos introvertidos estarem todos lonely? É possível malta, é muito possível. Por isso o mesmo conselho de sempre volta a ser aplicável aqui: aproveitar, mas com juízo, cautela e noção de que isto pode ser apenas um passar de tempo (tanto na vossa cabeça, como na cabeça da outra pessoa) e muito provavelmente vai acabar quando existir uma nova distração. Acho que estamos todos demasiado carentes de afetos para poder dizer com certeza que estas aproximações não são apenas um ato de desespero e nós calhamos a ser quem estava mais perto. Mas não se foquem nisto, não vale a pena deprimir já, aproveitem a viagem. Onde eu queria chegar com esta longa dissertação é que neste processo de conhecer pessoas novas acho que acabo sempre por me conhecer um pouco melhor a mim também. É ao responder a perguntas de pessoas "de fora" que vou descobrindo aspetos sobre mim que se calhar nunca tinha pensado. Acabamos por explorar um pouco quem somos ao mesmo tempo que estamos a conhecer a outra pessoa. Por isso malta, vamos arriscar mais e não ter medo de falar com pessoas. Estou a escrever isto como um incentivo para mim própria que sempre que posso evito o contacto com novos humanos fora do meu círculo habitual. Mas, por muito que me custe, conhecer pessoas é uma coisa boa! Não estou aqui a dizer que têm de ficar amigos com todas as pessoas que conhecerem, provavelmente não vai acontecer e se calhar muitas vão acabar por vos desiludir, mas arrisquem! Falem com pessoas. Explorem círculos diferentes dos vossos. Só assim podemos crescer em comunidade e alargar os nossos horizontes e pontos de vista. É muito comum só nos darmos com pessoas que pensam igual a nós e é importante quebrar um pouco isto para que sejamos capazes de ver o mundo de uma maneira mais real. Obrigada por lerem. Beijinhos e até já. ❤

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Procurar emprego durante a pandemia

Estou desempregada. Depois de muitas voltas que nem vale a pena falar, o meu contrato de trabalho chegou ao fim e não foi renovado. O projeto em que estávamos todos, alguns há muitos anos, teve um fim (mais ou menos inesperado e abrupto). Não vos vou mentir, por muita dor de cabeça e de coração que aquela empresa me possa ter dado, custou assimilar que era o fim, não só para mim mas para todos os meus colegas. E claro, fora tudo isto, custou-me assimilar que ia ficar sem trabalho, sem dinheiro a entrar todos os meses. Estou novamente fora de pé, a passar pela procura de emprego, que como sabem, é uma fase que não aprecio. Não fui apanhada de surpresa. Fui avisada com bastante antecedência que esta ia ser a minha realidade e por isso mexi-me logo na tentativa de encontrar algo antes que ficasse sem nada. Não resultou. Vou tendo respostas, vou sendo chamada para entrevistas, mas ainda não houve nenhum resultado positivo. Tento pensar que isto era o que eu queria. Eu queria esta situação. Eu queria mudar de área, deixar o clipping. Foi por isso que fiz a pós-graduação, para sair disto. Acho que quando naquela tarde enviei a minha candidatura já sabia o desfecho que isto ia ter, e queria estar preparada e ter mais bagagem no currículo para poder enfrentar melhor esta fase. Não foi de todo a experiência de curso que achei que ia ter porque acabou por ser praticamente tudo feito online (dam you covid), mas foi tão enriquecedor como eu achei que ia ser. Ainda não abriu exatamente as portas que eu achei que ia abrir, mas hey, cada coisa a seu tempo. Nunca parei realmente de estar atenta ao mercado de trabalho e a novas oportunidades que pudessem surgir, mas posso dizer que estou ativamente à procura de emprego desde setembro do ano passado. É um processo que me drena toda a energia que tenho. É duro. Enviamos currículos que nunca têm resposta. Recebemos e-mails pomposos que se resumem num "não foi selecionada". Às vezes encontramos um ou outro recrutador mais simpático que nos dá umas palavrinhas, ainda que genéricas, de força e votos de sucesso. E claro, as entrevistas. Se tivermos sorte, contactam-nos para conversar, agora por videochamada ou por uma simples ligação telefónica. Não vos consigo descrever o total atrofio que são para mim as entrevistas por videochamada. Foi preciso habituar-me a estar confortável a falar com pessoas cara a cara para as coisas começarem a ser feitas por vídeo. E digo-vos, não gosto! A única coisa boa que consegui identificar nisto até agora é o facto de não termos de perder tempo nas deslocações. Acaba por ser tudo mais direto e rápido, mas isto não quer dizer que seja melhor. Até agora tive duas entrevistas por videochamada e posso dizer-vos que foi uma coisa bastante desconfortável. Fica sempre a dúvida se as pessoas nos estão a ouvir bem, se estão sem reação porque o que estamos a dizer não faz sentido ou se a imagem simplesmente congelou por falta de rede. Acaba por passar rápido e o stress daqueles minutos desaparece num instante, mas são pequenas tretas que temos de enfrentar no momento e tudo nos parece maior e mais assustador do que acaba por ser realmente. Tudo isto para dizer que ainda aqui estou. A minha perceção é que já ando nisto há imenso tempo, mas a realidade é que só estou parada há um mês e tenho de compreender que isto pode ser um caso para durar. Ainda que todos os dias sejam publicados novos anúncios de empresas que estão à procura de novos funcionários, muitos deles nada têm a ver com o que eu quero tentar a seguir. Porque sim, por enquanto ainda estou numa posição da minha vida em que me posso permitir escolher o que quero ou não aceitar. Idealmente nunca teríamos de aceitar propostas menos boas ou cargos com os quais não nos identificamos, mas também percebo que muitas vezes existem contas fixas para pagar e temos de aceitar o que nos dão. Felizmente posso considerar-me uma privilegiada no sentido em que tenho tempo e posso  dar-me ao luxo de escolher (agora só precisava que me escolhessem a mim de volta). O texto já vai longo e não tenho muito mais para vos dizer sobre isto, pelo menos por enquanto. Queria só deixar uma forcinha se também vocês estão a passar por esta fase de procura de emprego, não percam o ânimo e sejam persistentes no envio de candidaturas! E já agora, aproveito também para elogiar os serviços do IEFP online e da Segurança Social Direta, porque consegui tratar de tudo referente ao subsídio de desemprego sem sair da minha secretária. Nem imaginam a alegria que me dá saber que a cada ano que passa este tipo de serviços está mais simplificado e já não somos obrigados a esperar longas horas numa fila para tratar de coisas que podem ser feitas online ou por telefone (e aqui, obrigada covid que fizeste do teletrabalho e serviços online uma realidade melhor e mais presente em Portugal). Hoje ficamos por aqui. Um ótimo fim de semana para vocês e até já. ❤

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Felicidade nas pequenas coisas

O pôr do sol.

Um passeio à beira mar. 

Café acabado de tirar.

Um encontro com amigos.

Os almoços em família.

Adormecer ao som da chuva.

O sorriso de quem amamos.

Fins de tarde na praia.

Aquela música a tocar no rádio.

Conduzir à noite de janelas abertas.

O som do vento nas folhas.

As pipocas do cinema.

Um abraço apertado.

A casa limpa.

O cheiro da relva cortada e terra molhada.

As conversas pela noite dentro.

Os dias de sol.

As tardes de domingo no sofá.

O som das ondas.

O nosso nome dito por aquela pessoa especial.

O cheiro dos livros novos.

Um banho depois de um dia de praia.

As cores do céu num final de tarde de verão.

As primeiras chuvas numa manhã de inverno.

O que é que vos faz feliz? Hoje pensei nestas coisas que a mim me fazem ter vontade de continuar em frente. É um bom exercício para quando nos sentimos mais em baixo. São estas pequenas coisas que nos seguram e nos carregam pela vida fora. Abracem-nas! Sintam o mundo à vossa volta e apreciem o que a vida nos dá. A felicidade está nas pequenas coisas, só precisamos de querer ver! 

Até já ❤

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Sobre ter criado um negócio

 Esta é a história de como, praticamente sem querer, montei um pequeno negócio (enfase na palavra "pequeno"). Foi há coisa de três meses que esta pequena aventura e desafio próprio começaram. Estava como em tantos outro dias a fazer o belo do scroll pelo feed do Instagram quando me deparei com um daqueles posts patrocinados. Na maior parte das vezes a minha cabeça já filtra sozinha estas coisas e ignora a publicidade, mas este anúncio estava muito querido e conseguiu captar a minha atenção pelas cores. Era um anúncio de uma página, que entre outras coisas, faz brincos em FIMO. E eu, tendo gostado de um dos modelos de brincos que lá estavam, carreguei no anúncio e fui até à página. Achei o preço um bocadinho puxado honestamente, e por isso acabei por não encomendar, mas aquilo ficou-me na cabeça e voltou a aparecer mais tarde no meu feed. Voltei a olhar para aquilo e lembro-me de pensar "eu consigo fazer isto!". E entre este pensamento, comprar materiais e fazer os ditos brincos (ou pelo menos a minha versão deles), acho que demorou uns três dias, no máximo! Porque malta, eu posso ser a mestre da preguiça, mas se quero alguma coisa, eu quero para ontem, e não descanso enquanto não trato de fazer acontecer. Depois disto foi uma evolução bastante natural, ainda que super rápida. Basicamente tinha os materiais em casa e estava a divertir-me a experimentar novos modelos de brincos, e eu nem adoro estar sempre a trocar de brincos, uso os mesmos durante séculos, por isso nem sou boa cliente para o meu negócio. Já com mega pânico em ficar com uma data de brincos perdidos dentro de uma caixa criei uma página no Instagram para os tentar vender. E pronto. Depois foi criar o logo, mandar imprimir uns cartões para colocar os brincos todos direitinhos prontos a enviar e tirar as fotos para publicar na página. O meu objetivo não é propriamente fazer disto vida, mas sim conseguir manter um passatempo que me dá algum retorno. É claro que gostava imenso de ter um fluxo de encomendas maior que uma por semana, que é mais ou menos o que vou tendo por enquanto, mas para uma coisa criada assim um bocadinho ao calhas acho que está ótimo. 

A página chama-se Madalena Handmade e podem visitá-la aqui! Entretanto já criei também uma loja no Etsy a ver se consigo expandir um bocadinho. Podem fazer as encomendas através da página do Instagram ou loja. Tenho lá imensos modelos de brincos, ganchos de cabelo e até alguns porta-chaves. E estou sempre a inventar coisas novas. Além disso, podem enviar-me as vossas ideias para eu criar peças únicas para vocês. É tudo feito à mão com muito amor, clichê, mas completamente verdade! As peças de artesanato são sempre especiais e são uma ótima forma de presentear quem vocês mais gostam (ou até vocês próprios) e ao mesmo tempo apoiar os pequenos negócios. 

Deixo-vos algumas fotos e os links tanto para a página como para a loja. 

Espero que gostem e que partilhem! 









Instagram aqui!

Etsy Shop aqui!

P.S. - Que isto vos sirva de inspiração e força para criar algo que vos dê prazer e vos faça felizes. Não tenham medo de falhar. 

Beijinhos, e até já ❤

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Procurar ajuda profissional

 Há uns meses, olhei para a minha vida e decidi que estava na altura de procurar ajuda. Antes de voltar a desaparecer por aqui, falei-vos de como me sentia mais ansiosa e que não compreendia muito bem certas "explosões" que tinha. Acontece que as situações em que tinha o pavio demasiado curto começaram a ser cada vez mais recorrentes e eu já não me estava a reconhecer. Além de magoar as pessoas mais próximas de mim, que eram quem acaba sempre por levar com estes ataques, estava a começar a ter pânico de mim mesma. Nunca gostei de perder o controlo da situação e, emocionalmente, era o que me estava a acontecer. Os altos e baixos da vida transformaram-se apenas em baixos, em dias que não queria sequer viver porque simplesmente não encontrava razão para tal. Não me perguntem como é que cheguei até este ponto, porque eu não vos sei dizer. Sei apenas que tive a sorte de conseguir ter força para procurar ajuda. Começar a fazer terapia, por qualquer que seja a razão, é sempre visto como uma coisa meio estranha. Acho que temos medo que as pessoas nos julguem, que não compreendam a nossa escolha. Para mim o mais estranho acho que foi a reação de quem só me via bem. Acho que essas pessoas não esperavam que eu fosse recorrer a um psicólogo que me ajudasse a arrumar as ideias, porque como vocês sabem, eu sempre me considerei muito boa a esconder o que de mau se passa na minha vida. Estou nisto há algum tempo, e só consigo ver melhorias. Quando comecei as consultas estava num estado em que tinha medo de mim própria, e agora posso dizer que já não tenho medo e estou muito mais confiante de mim e das minhas capacidades. Recomendo a toda gente, principalmente a todos os que já se questionaram se precisam realmente de ajuda. Não há vergonha nenhuma em procurar ajuda, seja de um psicólogo, de uma nutricionista ou de outro profissional qualquer. Muitas vezes não conseguimos dar conta de tudo o que se passa na nossa vida e precisamos de alguém que nos guie e ajude a encontrar mecanismos para viver melhor. Isto é um processo e não podemos esperar ficar bem da noite para o dia. O que tenho vindo a aprender nestas consultas são coisas que vou aplicar ao longo de toda a minha vida e ainda bem. Depois de praticamente sete meses, a única coisa de que me arrependo é não ter começado mais cedo. Não precisamos de estar num estado terrível para procurar alguém que nos ajude. Idealmente, trabalhamos nestas questões antes, para que o terrível nunca chegue. Por medo, ou falta de fundos ou o que seja, temos tendência a adiar estas coisas. Porque a realidade é que fazer terapia é complicado. Vocês vão descobrir coisas sobre vocês que achavam que estavam resolvidas e afinal ainda vos afetam. Vão haver dias que a consulta se calhar são apenas 50 minutos de choro sem conseguir dizer uma única palavra. Ainda assim acreditem quando vos digo que vai melhorar a vossa vida. Mesmo que achem que é uma perda de dinheiro, que o psicólogo só vos diz coisas óbvias e frases feitas, arrisquem e marquem uma consulta. Encontrem um bom profissional. Se não gostarem da pessoa, procurem outra. Não esperem que as consultas sejam o sítio mais confortável do mundo, mas também não se vejam obrigados a estarem a ser seguidos por alguém com quem não se identificam minimamente. Pode ser um match difícil de encontrar, mas se acham que precisam dessa ajuda extra, não desistam. Eu só tenho coisas boas a dizer sobre isto. Os meus ataques de pânico pararam e adquiri mecanismos para me ajudar a ultrapassar os dias mais complicados. Percebam que isto não é um gasto, mas sim um investimento na vossa saúde. Afinal de contas, se a cabeça não estiver bem, nada vai estar, não é? Tenham a força e a coragem para procurar a ajuda que precisam. E, por favor, lembrem-se de ser compreensivos com as pessoas à vossa volta. Nunca sabemos o que se passa na vida do outro. Sejam conscientes ao ponto de pensar que nem toda gente vai saber lidar com as questões mais complicadas da vida tão bem como vocês. Be kind. Beijinhos e coragem ❤

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Eu não quero um príncipe encantado

E quando os nossos amigos que estão em relações há séculos se chegam ao pé de nós e nos dizem que um dia também vamos encontrar alguém, não os odeiam? Vá, calma. Não é que os odeie odeie, é só que naquele momento tenho vontade de lhes apertar o pescoço, mas não aperto, por isso está tudo certo. Sempre achei mais válido solteiros que aconselham gente comprometida nos assuntos do coração do que o contrário (e não é por estar sempre do lado dos solteiros não pensem). A questão aqui é que é muito fácil dizer às pessoas que se sentem sozinhas que um dia o seu grande amor vai aparecer, que vai ser tudo o que esperavam e que vai ser o príncipe encantado. Primeiro malta, não mintam! Segundo, esse dia e essa pessoa podem nunca chegar e é ok. E terceiro, eu não quero um príncipe encantado. Pois, eu sei, é difícil não querer um príncipe quando tudo o que a indústria cinematográfica (cof cof Disney cof cof) nos ensinou é que há um para cada uma de nós mas, choquem-se, as coisas não são bem assim. Pode ser que até haja um príncipe, ou vários, mas não acham que isso acaba por ser uma pressão imensa que estamos a pôr sobre os homens? Eles se calhar não querem ser príncipes, querem só ser gajos normais, o que já é um patamar bastante bom sendo que nós também só queremos ser mulheres normais. Quem nunca deixou passar uma oportunidade fixe por ser demasiado picuinhas com o que procura num rapaz que atire a primeira pedra. Ninguém precisa de um príncipe, e também ninguém tem de ser um, porque eu também não quero ter de ser um princesa a tempo inteiro. Compreendem? Acho que à medida que vamos crescendo, em idade e em cabeça, vamos percebendo que os príncipes realmente não existem e não faz mal! Encontrem alguém que vos "encha as medidas". Já pensaram na complicação que é conseguir encontrar alguém que queira o mesmo que vocês ao mesmo tempo que vocês? Pois é malta. Não tentem complicar ainda mais com expetativas irrealistas do que uma relação deveria ser. Não quero com isto dizer que tenham de abdicar das coisas que para vocês são importantes numa pessoa, mas sejam realistas e não esperem contos de fadas, porque não os vão encontrar. Desejo-vos o que também quero para mim: uma relação saudável com alguém que me compreenda, me respeite e me acrescente. Tenham cuidado e não entreguem o vosso coração a qualquer um que apareça, mas ao mesmo tempo não tenham medo de amar e de se deixarem ser amados. É verdade que o amor nos encontra quando menos esperamos, mas também é verdade que não podemos ficar à espera que ele nos bata à porta. Saiam de casa (agora com cautela por causa do vírus), vivam a vossa vida, cuidem de vocês. O que procuram vai chegar quando menos esperarem e se for para dar certo, vai dar certo! ❤

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Sobre ser melhor que ontem

Ontem disseram-me uma coisa que me ficou: "importante é o agora e o amanhã". Parece básico não é? Mas às vezes precisamos de alguém que nos diga coisas básicas, porque nem sempre conseguimos chegar até elas sozinhos. Eu sou uma pessoa super agarrada ao passado. Reviver memórias e reler históricos de conversas são provavelmente o meu passatempo favorito. Só que a verdade é que ficar agarrados ao que já passou não nos acrescenta. A vida anda é para a frente e nós temos de seguir em frente com ela. Honestamente, acho que por mais tempo que passe não vou deixar de ser agarrada ao passado. Gosto sempre de ter presente tudo o que já me aconteceu, desde as coisas boas até às menos boas (e às muito más também). São estas coisas do passado que nos constroem, que nos moldam e nos fazem a pessoa que somos hoje. O objetivo aqui é conseguir um equilíbrio saudável que nos permita seguir em frente ao mesmo tempo que recordamos o passado com leveza. Cada dia é uma nova oportunidade para sermos melhores que ontem, e esta é uma oportunidade que não devemos deixar escapar. A verdade é que por mais pequenos que sejam os passos que vamos dando a cada dia, daqui a um ano ou uns meses, podem ter impacto super importante no nosso caminho. Porque é mesmo verdade malta: o caminho faz-se caminhando! Não sejam como eu, que tenho dias em que fico parada porque quero tudo com resultados para ontem! Coisas boas levam tempo. E nós estamos sempre a tempo de mudar de rumo se acharmos que não estamos no caminho certo. Seja amanhã, ou depois, ou daqui a uma data de anos, melhor ou pior, nós havemos de chegar ao que queremos. São coisas pequenas, mas eu nunca me imaginei a fazer exercício regularmente há quase um ano por exemplo. Se há algo que vos incomoda ou que querem melhorar, hoje é o dia para começar a trabalhar para mudar isso. Não esperem resultados imediatos, não se deixem desmotivar. Escrevam num papel, nas notas do telefone, onde quiserem, mas escrevam aquilo que querem. Idealizem, façam planos, e façam por todos os dias dar um passo que vos aproxime dessa meta. Se tudo isto for demasiado, se em algum momento se sentirem assoberbados com tanta coisa na vossa vida, concentrem-se nas pequenas coisas. Ao longo dos últimos meses tenho aprendido a ser mais paciente comigo e a aceitar que às vezes a única coisa que consigo fazer num dia é sair da cama, cumprir as necessidades básicas e voltar para a cama, e é ok. Cada um de nós tem o seu tempo e não podemos forçar as coisas a ir a um ritmo que não conseguimos controlar. Comecem nas pequenas coisas, mas comecem! A vida não se constrói num dia. Sejam a vossa própria força, não desistam de vocês mesmos e nunca se esqueçam porque é que começaram. Espero que este texto vos encontre bem e vos dê uma forcinha para construir a vida que desejam. Beijinhos ❤

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Velhas coisas com novos propósitos em tempo de isolamento

Vou começar desde já por admitir que não têm sido dias fáceis. Acredito que para vocês também esteja a ser uma altura muito complicada e que se tenham visto obrigados a fazer muitos ajustes na vossa vida e nas vossas cabeças. A minha cabeça ainda se está a ajustar e por isso talvez faça sentido eu voltar aqui de vez em quando para debitar umas coisinhas. Tenho pensado muito em como é engraçado a forma como os acontecimentos se desenrolam e como coisas que em dada altura foram concebidas para um propósito depois se adaptam e passam a adotar outro. A vida é muito isto ou não? Coisas que sofrem mutações ao longo do tempo e se encaixam exatamente onde viriam a fazer falta anos mais tarde. Talvez como muitos de vocês, eu tenho estado a trabalhar a partir de casa. Vou na terceira semana de teletrabalho e dou por mim 8h sentada à secretária do meu antigo escritório. Na altura partilhei aqui a criação do meu escritório e todo o seu propósito. Eu queria um espaço clean para poder estudar, estava na faculdade na altura, e um vão de escada foi o que se arranjou (muito Harry Potter da minha parte, claro). Estava longe de imaginar que perto de 5 anos depois ia estar sentada à mesma secretária, desta vez com o computador da empresa e uma panóplia de tralha que se foi acumulando com o tempo para um propósito diferente, em condições impostas pela conjuntura atual. Acho que a Madalena de 2015 sabia que aquele escritório ainda ia servir um papel maior, porque dizendo a verdade eu não passei imensas horas de estudo ali. Aliás, é bem possível que nestas 3 semanas tenha estado ali mais horas do que no tempo de faculdade, mas enfim. A questão aqui é vermos como a vida se encaixa até nas coisas mais banais e que muitas vezes tudo isto nos passa ao lado. Se na altura não me tivesse passado pela ideia montar um escritório, agora estaria com o computador do trabalho montado na secretária do meu quarto, que ia ficar uma confusão ainda maior e me ia impedir de "fechar" a zona de trabalho ao fim de cada dia. Não ia ser o fim do mundo claro, mas estou melhor assim. O dia de trabalho começa quando entro ali no meu cantinho e termina quando de lá saio e fecho a porta. Acreditem, este fechar de porta torna todo o processo mais simples e fácil de aceitar. Ainda nesta onda de coisas que ganharam um novo propósito, algo completamente diferente e ainda mais banal: a caixa de 50 lápis de cor que ofereci a mim mesma no Natal. Novamente, parece que a Madalena do passado sabia o que estava para chegar. Eu já era assumidamente a doida das pinturas e dos livros de colorir, então óbvio que quando naquela tarde fui à papelaria por qualquer razão desconhecida e vi aquela caixa de lápis, tive de comprar! Curioso ou não, era a última que tinham. A verdade é que claro que eu não precisava de mais lápis, os estojos e caixas que por aqui andam espalhadas estavam em perfeitas condições para o uso que lhes dava. Mas agora que estou mais tempo em casa acabo por recorrer imenso ao meu livro de colorir favorito e aos 50 lápis de cor que me estão a permitir fazer coisas giras e coloridas para combater os dias mais cinzentos (a treta do mindfulness vai que até não é assim tão treta). Por mais difícil que esteja a ser lidar com tudo o que se está a passar e que já se estava a passar antes de tudo isto não nos podemos esquecer somos sempre mais fortes do que aquilo que pensamos que somos. A vida vai melhorar. Vamos ficar bem 🙏

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Tu Ainda Tens Tempo

Olá. Bom Ano. Não, não fiquei retida em 2019. Achavam que não voltava mais não era? Mas cá estou, a dia 14 de janeiro, ainda que já pareça meio de março (this month never ends does it?). Enfim. Não foi por nada destas coisas que hoje abri o pc e decidi escrever. O que me traz aqui é toda um reflexão, ou melhor, toda uma aceitação de que é ok não saber bem o que andamos aqui a fazer. Fartei-me de ver uma data de reflexões sobre a década que terminou e sim fiquei (tal como vocês também ficaram seus invejosos) um tanto ou quanto irritada com todas as conquistas da malta toda. Podem por favor parar de ter o vosso trabalho de sonho, a vossa casa de sonho, o vosso namorado de sonho, a vossa vidinha perfeita? Thanks! eu sei que nenhuma vida é perfeita people, exagerando to make a point, don't judge Correndo o risco de estar a soar como uma revoltada com a vida com falta de amor e carinho: a partilha das vossas conquistas pessoais não tem interesse para o resto das pessoas e serve única e exclusivamente para efeitos de gabarolice. E btw malta, muitas vezes estas partilhas não são mais do que uma tentativa desesperada de aprovação. Ainda assim, que atire a primeira pedra quem nunca se pôs a jeito de uma coisa destas, ninguém é inocente maltinha. Mas vá, respirei fundo e vou tentar continuar de forma mais ponderada. Se chegaram até aqui, talvez estejam tão cansados disto quanto eu. Talvez estejam a passar por desafios nas vossas vidas, desafios esses que parecem não ter fim. Talvez só queiram uma pausa. Falo por mim, que o que gostava mais que tudo sem contar com o amor recíproco daquela pessoas especial era ter um botão de pausa para poder descansar, se bem que temo que nunca mais me ira levantar se esse poder estivesse ao meu alcance. Adiante. Só vos quero dizer que não faz mal não estarem onde achavam que iam estar há uns anos. Eu estou longe de estar como queria, mas temos de jogar com as cartas que temos não é verdade? Hoje uma amiga mandou-me uma imagem, talvez já tenham visto, que diz "Crise dos 20 e pouco: Não entres em pânico se não alcançaste tudo aquilo que acreditavas ter nos 20s. Não faz mal se estás solteiro. Se ainda não terminaste os estudos. Não te castigues se ainda não arranjaste um emprego melhor. Ou um emprego. Tudo bem se ainda não fizeste sexo ou se não tens a carta de condução. Tudo bem se ainda não tens casa própria. Não te sintas inferiorizado porque alguns dos teus amigos já têm algumas destas coisas. Tu ainda tens tempo. E acredita, tu fizeste progressos, mesmo que não se tenham materializado da forma tradicional." E pessoal, ISTO É TUDO TÃO VERDADE!!! Estamos todos no mesmo barco, uns melhor outros pior, mas a vida e as mudanças estão a acontecer para todos, cada uma no seu tempo certo. Vivo numa luta constante a tentar acreditar que tudo acontece no momento devido e por uma razão, e peço-vos que entrem nesta luta comigo. So what a vida ainda não é perfeita? Nunca vai ser malta! Só podemos dar o nosso melhor todos os dias e aceitar que não somos incríveis e não estamos todos destinados a ser o próximo presidente dos EUA. O meu percurso é ok, e o teu também é. Eu sei que a vida são dois dias e tudo acontece num ápice, mas ainda temos tempo. Estamos a viver no tempo certo, o melhor que sabemos e podemos, e não há vergonha nenhuma nisso. Não sintam que estão a ficar para trás. Eu muitas vezes sinto que estou parada no tempo, que não fiz nada pela minha vida, mas é mentira. Estamos em constante evolução. E ainda que essa evolução não seja visível aos olhos de toda gente, desde que vocês consigam ver, estão no caminho certo! Beijos para vocês e até ao próximo.

domingo, 17 de novembro de 2019

O pânico de estar sozinha numa sala cheia de gente

Não sei quanto a vocês, mas ultimamente tenho percebido que, para mim, estar sozinha é um desafio. Não sei se passo mais tempo sozinha que o habitual ou se simplesmente comecei a reparar mais neste aspeto da minha vida. O problema não é passar tempo sozinha, acho isso ótimo, o problema é sentir-me realmente sozinha e isto ser uma bola de neve: quanto mais tempo estou sozinha, menos vontade tenho de estar com outras pessoas, percebem? Vou tentar não ser super confusa ao longo deste texto, tentem acompanhar. Sendo honesta, não tenho muita gente com quem passar tempo e ir a coisas. Na minha família está cada um concentrado no seu trabalho na maior parte dos dias. Não estou numa relação. Os meus amigos têm a vida deles e passamos menos tempo juntos do que gostaria, e continuando a onda de honestidade, normalmente não estão disponíveis para grandes planos. Isto tudo junto faz com que a minha companhia seja eu própria (e os meus colegas no trabalho durante as horas em que lá estou). Até aqui, tudo normal. Tenho a certeza que com muitos de vocês acontece a mesma coisa. Ainda assim, não consigo deixar de me sentir sozinha mais do que gostaria e até de sentir um certo abandono. Parece que tenho sempre todo o tempo do mundo para toda gente, mas que quando sou eu a precisar de alguém que tenha tempo para mim, ninguém está disponível. Ok, é justo, às vezes têm tempo para mim e eu não me apetece estar com ninguém, certo. Mas opá, tem dias em que não consigo estar sozinha, sinto-me a sufocar. Tenho tentado (muito) combater isto. Faço por passar tempo sozinha a fazer coisas de que goste. Tenho ido ao cinema sozinha por exemplo, um hábito que implementei este ano porque finalmente percebi que não preciso de ninguém ao meu lado durante aquela hora de filme. Na semana passada fui mais longe e percebi que também não precisava de ninguém para ir sozinha ver um espetáculo de comédia. Se estava completamente em pânico por estar durante horas sozinha e ir voltar tarde para casa, também sozinha? Claro que estava! Já sabem que sou uma completa drama queen e entro em pânico com coisas que são simples. Mas obviamente que correu tudo lindamente e eu adorei o espetáculo. Foi só mais uma prova de que não preciso de ter medo de estar sozinha e fazer coisas. Vamos lá pôr um ponto final nesta cena de não ir a concertos e etc só porque não tenho ninguém para ir comigo. Não preciso de companhia para isto. Claro que é incrível quando conseguimos alinhar tudo e ter a companhia dos nossos mais que tudo para ir connosco a estas coisas, mas quando não dá, podemos perfeitamente aproveitar e ir sozinhos. Afinal de contas, vão estar lá mais umas quantas pessoas com o mesmo objetivo que nós, e alguns provavelmente também vão estar sozinhas. Basicamente é não ter medo e se tivermos medo, ir na mesma! Nada me garante que no próximo evento a que vá sozinha não vá estar novamente assustada e em pânico, mas mesmo que esteja, já vai custar um pouco menos porque sei que da última vez correu tudo bem. Para vocês pode não parecer muito, mas para mim estas pequenas coisas são enormes desafios que exigem toda a minha força e coragem. Aos de vocês que precisam deste empurrão para passar mais tempo sozinhos em eventos sociais: não tenham medo e não pensem que estão sozinhos. É possível que esteja lá pelo menos mais uma pessoa nas mesmas condições que vocês, e quem sabe, até pode ser uma boa oportunidade para fazer amigos. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Dias de chuva

A semana começou com aquele típico acordar de segunda-feira (que acaba por ser um pouco o acordar de todos os dias), «não, não, não, isto não é o despertador, não são horas ainda». Depois do momento de negação, corri para o banho na tentativa de não me atrasar para os transportes. Valeu de pouco. Perdi o autocarro e ainda consegui mandar fora os 10 min que passei a secar o cabelo, porque assim que saí dos transportes tive de fazer os meus 5 min a pé até ao escritório debaixo de chuva. Mesmo assim não deixei que a revolta de estar a ser uma segunda daquelas me consumisse e fiz o dia acontecer. Só me lembro que depois de tudo isto, tive dois dias cansativos no trabalho e acabei por adormecer muito cedo em ambos. Não sei como é com vocês, mas a mim custa-me enfrentar a rotina nestes primeiros dias de horário de Inverno. Eu adoro esta altura do ano e, apesar de cada vez gostar mais do Verão, admito que já tinha saudades do fresquinho. Adoro dormir completamente embrulhada em pijamas fofos e cobertores quentinhos. Adoro as minhas roupas de Inverno. E claro, o meu aniversário em dezembro. Mas quando muda a hora há sempre aquele sentimento triste de quem estava habituada a algumas horas de sol depois do trabalho e agora só chega a casa de noite e só vê luz do dia pela janela do escritório. Sentimento triste e uma vontade incrível de deitar e dormir. Para juntar a isto tudo, a chuva! Não me importo imenso com a chuva, se estiver em casa no sofá a ver uma série. Mas a sério, acho que me importo mais com o que a chuva provoca em nós, é que com um bom casaco, umas botas e um chapéu de chuva, sempre dá para aguentar. Só que não podemos pôr este equipamento todo no nosso estado espírito. Dias cinzentos dão sono e a chuva torna-nos melancólicos. Quem nunca andou de carro num dia de chuva, com a cabeça encosta no vidro e uma musiquinha triste no rádio? Aquele momento mesmo à filme eu sei, mas não digam que nunca fizeram porque estariam a mentir. Tudo isto para dizer que o Outono está aí e a chuva também decidiu ficar por uns dias (Estás a ouvir mãe? Chega de deixar a roupa na rua!). Podem tirar os casacos do armário, principalmente os que aguentem com a chuva, eu já vou em duas molhas e ainda é quarta senhores! Ah, e por favor, a ver se metem os casacos a arejar, já se nota aquele cheirinho a naftalina nos transportes públicos, e disto posso dizer que não tinha mesmo saudades nenhumas. 
Ainda assim, nem tudo é mau maltinha, habemus feriado depois de amanhã! Aproveitem bem, mesmo com chuva. Bejinhos e até já ❤

domingo, 20 de outubro de 2019

Insónias

Dizem que se não conseguimos dormir é porque estamos acordados no sonho de alguém. Pois bem, devem sonhar muitas vezes comigo, porque desde que me lembro que, em algumas noites, tenho dificuldades em dormir. Dormir é incrível e é das minhas coisas favoritas (não finjam que também não é das vossas). E felizmente são mais as noites em que caio na cama e durmo como uma pedra até ao toque do despertador do que as que fico acordada até altas horas da madrugada porque o meu cérebro simplesmente não descansa. As madrugadas são tão vulneráveis não acham? Melhor dizendo, as madrugadas tornam as pessoas vulneráveis. Eu sou da total opinião de que não conhecemos verdadeiramente alguém até termos uma conversa de madrugada. Parece que algo em nós entra em stand by e baixamos as defesas. A mente fala livremente e permitimos à outra pessoa ver-nos sem os habituais filtros do dia a dia, que teimamos em usar para não perceberem que, tal como eles, também nós somos loucos. Mas a madrugada não é tão divertida assim quando estamos sozinhos a tentar dormir. Peguei no telefone para começar a escrever isto porque sempre me senti mais inspirada nestes momentos de silêncio. Não fosse o barulho da chuva lá fora e o tic tac do relógio por cima da minha cama, o silencio era total. Curioso que me sinta mais inspirada durante a noite se pensarmos que tenho imenso medo do escuro desde pequena. Acho que associo muito o escuro ao vazio e à solidão e isso sempre me assustou. Tenho tentado lidar melhor com isto à medida que vou crescendo até porque se quero um dia (num futuro próximo) sair de casa para ir viver sozinha, tenho de estar pronta a enfrentar a noite, principalmente estas que teimo em não adormecer. Tenho sono e sinto-me cansada, mas se a mente não descansa não consigo dormir, e eu amo dormir gente! Por isso fica aqui o recado para quem estiver por aí a sonhar comigo: estou muito grata por fazer parte dos pensamentos que o vosso subconsciente vai buscar, mas agora já está bom. Pensem antes em mim durante o dia e mandem mensagem com um olá, porque de madrugada prefiro dormir. Beijinhos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A minha paixão por HIMYM

How I Met Your Mother, ou Foi Assim Que Aconteceu, não é só a minha série favorita, é a série da minha vida!!! Já vi e revi toda a série, e alguns episódios já vi mais de 4 vezes. É aquela série que já sei de cor mas que continuo sempre a ver. Aliás, há semanas em que o meu ritual é chegar a casa e ver dois ou três episódios. É sempre bonito e enche sempre o meu coração. Vivi todas as relações do Ted e dos amigos como se fossem minhas. Acho que é uma série super relatable e que tem sempre uma lição a reter no fim de cada episódio. A mim ajudou-me principalmente a perceber que sou humana como todos nós. Antes de mais quero já deixar aqui bem explícito que não quero cá comparações com Friends, ai e tal que Friends é melhor e HIMYM é cópia, blá blá blá. Maltinha, já ouvi isso tudo. Mas eu nunca vi Friends (só uns episódios soltos), vi HIMYM vezes demais para saber quantas e amo para sempre. Esclarecido, vamos prosseguir. 

Resumito rápido para quem não faz ideia do que estou a falar: o Ted é um gajo que tá a contar aos seus dois filhos a história de como conheceu a mãe deles. Só que esta história começa muito antes de ele conhecer a mãe dos miúdos e acompanha o que se foi passando ao longo dos anos entre ele e o seu grupo de amigos. O Ted passa por uma data de relacionamentos e está constantemente em busca "da tal". Conseguimos acompanhar as várias fases da vida dele e dos amigos e perceber a forma de como todos os momentos da vida dele o conduziram ao momento em que conhecer a mãe dos filhos, o grande amor da vida dele. É já por aqui que quero pegar: todos os momentos da nossa vida acontecem no alinhamento certo para nos conduzir a um momento específico! Acredito mesmo nisto? Eu tento. É uma boa premissa para se viver de acordo. O conforto e certeza de que o universo tem um plano para nós. Basicamente às vezes temos de deixar o universo tomar conta e confiar que tudo acontece por uma razão. 
Não sei se quem já viu a série está familiarizado com uma listinha que circula por aí (vou deixar a imagem algures pelo post) que contém as lições que podemos aprender com a série. Adoro todas e acho que todas fazem imenso sentido durante toda a nossa vida. Mas para isto não se tornar mais gigante ainda, vou escolher as 5 que mais importam para mim e falar um cadito de cada uma. 

Quando há já uns anos acabei de ver a série, 
imprimi isto e colei no interior do meu roupeiro, ainda lá está. ☺

«Some people have expiration dates.» Nem toda gente que entra na nossa vida vai ficar connosco até ao fim. Aliás, a grande parte não vai. Amizades ou relações amorosas, muitas vezes têm um prazo de validade e temos de ter consciência disso. Claro que não vamos deixar de nos dar com alguém ou de investir numa relação por saber que eventualmente pode acabar, até porque à partida não sabemos que se há de facto um prazo, ainda assim convém ser honesto sobre isto e perceber que às vezes acaba e não é culpa de ninguém. A vida segue rumos diferentes, as pessoas afastam-se. Não é errado nem certo. É só a vida.

«Don't postpone joy.» Isto é tão importante! Ser feliz enquanto podemos e não deixar as coisas boas para depois. A vida é tão curta, o depois pode não existir. Devemos fazer o que nos faz bem, estar com as pessoas que nos enchem o coração e tentar ser o mais felizes possível enquanto possível. Nem sempre é fácil. Mas é tentar não deixar aquele jantar de amigos para depois, ou o encontro a dois para depois ou até uma ida à praia ou uma caminhada para depois. O que quer que seja que nos faz felizes, não deve ficar para depois!

«You're not looking for someone who acepts your quirks, you're looking for someone who loves them, cherishes them, and loves you more as a person because of them.» Encontrar alguém que nos aceita e nos ama pela pessoa que somos, com todas as qualidades e defeitos incluídos no pacote. Isto também é tão importante! Cada um de nós é especial e único, é esse o nosso super poder. Vai sempre haver gente que não gosta, gente que nos adora e gente que nos ama incondicionalmente. Não se deixem levar por relações onde não podem ser 100% vocês mesmos. Há alguém por aí que vos ama tal e qual. Lembro-me do Ted estar sempre a tentar condicionar-se com uma data de regras sobre encontros e não agir como queria, como aquela coisa de esperar 3 dias para ligar a uma miúda. Só que o Ted queria mesmo era ligar imediatamente! E lembro-me dele dizer ao Barney que uma miúda que se importasse com isto, era porque não era a certa para ele. Pensem nisto e nas mudanças que fazem em vocês para estar com alguém e se vale assim tanto a pena abdicarem das pequenas coisas que vos tornam únicos.

«Don't ever give up crazy times with your friends.» Não me canso de dizer que os amigos são a base que nos sustenta na vida. Aos verdadeiros, nunca os largem! Agarrem os vossos melhores amigos com toda a força que têm e vivam com eles os melhores momentos das vossas vidas. Vai tudo acontecer e nem vão dar conta. São aquelas histórias que vamos todos contar quando formos velhinhos, tal como o Ted faz com os filhos na série. Isto é real. Agarrem-se a isto! Combinem saídas com os vossos amigos e não desprezem o poder que tem sentar todos à volta de uma mesa e contar como têm sido as vossas vidas! Ah, e estejam sempre lá para os grandes momentos!

Se isto não são friendship goals, então não sei o que será!
«Whatever you do in life is not legendary unless your friends are there to see it» ❤

E, para terminar:
«Get out of the house, go for a walk, get a bagel.» Claro que a vida segue mesmo que não se faça nada por isso, mas também temos de sair à rua e vivê-la! Umas das frases que mais me ficou da série foi uma que a Lily disse ao Ted, algo sobre como ele não podia desenhar a vida dele como desenha um edifício (o Ted é arquiteto). Temos de viver e a vida vai-se desenhando. Não precisamos de ter tudo planeado. Muitas vezes o que precisamos é mesmo sair de casa e dar um passeio, ver pessoas, conhecer sítios. As coisas fluem a partir daí. 

Sobre o final. Quem conhece a série já deve ter ouvido que o final não é exatamente o esperado, pelo menos para mim não foi. Não vou dar spoiler, vou só dizer que com o rever da série percebi melhor o final e não acho que tenha sido algo assim tão descabido como me pareceu na altura. É uma boa perspetiva das coisas e mostra-nos que o que está destinado a nós, a nós chega. Pode não ter dado certo agora, mas mais tarde quem sabe. 

Espero que tenham gostado. Vejam HIMYM e sejam felizes.
Beijinhos e até já ❤