domingo, 15 de maio de 2011

Onde está ela?

Quero esquecer que existo, que existo no Mundo. Estou perdida.
Caminhava por aquela rua antiga, dando passinhos pequenos por entre as pedras da calçada, tão repletas de desenhos. A chuva ia caindo como queria, de gota em gota, e ninguém parecia querer saber. Só uma senhora vestida de tons cinzentos caminha mais depressa, fortemente agarrada ao seu guarda-chuva. Olhei-a apenas por um momento, depois segui… Sempre com pequenos passos por entre as pedras da calçada, lá ia eu, em busca de algo precioso que tinha esperança de encontrar ali, naquela tarde com chuva. E a rua estava agora sem ninguém, apenas eu. Estava com frio e andava agora desesperadamente, e sussurrava «Por favor, alguém sabe onde é que ela foi? Tenho de encontrá-la. Eu preciso.». Falava cada vez mais baixo, pois estava a ficar sem forças, precisava da minha coisa preciosa, e ela teimava em não aparecer. A esperança estava a diminuir, e eu cada vez mais fraca. Aceitando a derrota, deixei-me cair no chão molhado, desisti da luta e desmaiei.
Foi naquela tarde em que perdi a minha tão preciosa Imaginação.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Desabafo

Odeio olhar para ti e sentir alguma coisa. Esses olhos. Esse sorriso. Odeio olhar para ti e sentir alguma coisa. Odeio a maneira como te comportas, essa tão adorável maneira de falar e a tão incrível forma como só tu te sabes rir. Dizes coisas tão ridículas. És tão querido como só tu consegues ser. Odeio gostar de ti.

sábado, 16 de abril de 2011

"O tempo não demora sempre o mesmo tempo a passar"

A pedido das muitas pessoas que quiseram este texto aqui (devem ter sido umas 3, hehe), e porque este é o meu texto preferido, aqui está:

Na outra noite, acordei exaltada. A ideia de que tinha a vida a passar-me à frente dos olhos e que eu não estava a aproveitar nem um bocadinho começou a preocupar-me. Senti uma enorme vontade de tirar fotografias a tudo o que encontrava para ver se conseguia manter o tempo sossegado, porque sabes, tenho medo de ver o tempo passar por mim sem que eu passe por ele.
Dei por mim a falar com tempo (coisa que ainda parece mais ridicula do que falar sozinha):

"Ó Tempo, tu que passas conforme te vai apetecendo, que fazes o Mundo partilhar momentos, que destróis a vida e que nos fazes viver. Sim, Tempo, esta carta é para ti, para te pedir que abrandes, abranda naquelas tarde de Verão quando estou com a Lúcia e com o Martim no parque, abranda nas horas de almoço de segunda-feira. Esta carta é para ti, para ti Tempo, para te pedir que avances mais rápido nas aulas de quinta, nos dias da semana. Tempo, que passas por aí conforme te vai apetecendo, vive junto de mim e ajuda-me a aproveitar os momentos."

Guardei este texto numa caixa fechada. Não podia arriscar deixá-lo andar à solta por aí. Não podia deixá-lo escapar, como deixei escapar o tempo. Cansada, mas, no entanto tranquila, voltei a adormecer.

(este também foi escrito numa aula de Português, é a composição de um teste que fiz)

Dedico à minha Adriana porque sei que ela gostou muito!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tempos de Desespero

(escrito para uma aula de Português)

Este é um tempo de solidão e de saudade. Nem é necessário recorrer a dados históricos ou a estudos recentes. Este é um tempo que todos podemos julgar. Vejo isto pela minha vaga experiência de vida e creio que nasci numa época importante. Durante estes tempos, consegui observar a mudança da sociedade, e com base no meu conhecimento próprio afirmo que somos todos seres solitários no Mundo. É claro que nenhum de nós se digna a pensar nisso, pois estamos todos rodeados de "amigos", mas quantos deles nos dão ajuda sem pedir nada em troca?
A saudade vem de tempos passados, tempos que nos davam conforto, porque quando um caía, meia-dúzia o levantava. Agora, quando um cai, deixam-no ficar no chão, e talvez ainda lhe passem por cima.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

5 meses e já nos tratamos por tu

Como quando éramos pequeninos, nos tempos da creche e da escola primária, em que logo no primeiro dia perguntávamos uns aos outros "Queres ser meu amigo(a)?", e nos segundos a seguir éramos grandes amigos que, quem não soubesse, achava que nos conhecíamos desde sempre. Gosto muito de vocês e sem vocês já não estou completa. Cada um de vocês tem um pedacinho do meu coração, e cada dia faço para ter um pedacinho do vosso. Todas as palavras, expressões, frases, sorrisos, momentos, jogos, olhares, ... Guardei tudo. O meu coração é vosso!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Brinde!

Já não tenho necessidade de estar sempre “em rede” contigo. Sinto-me bem por isso, achei que nunca ia conseguir. Encontrei um novo caminho, uma nova maneira de estar, um novo do modo de pensar. Estou contigo e não estou contigo, isto tudo ao mesmo tempo. Encontrei um igual que indirectamente me lembra de ti. Indirectamente, porque tu e eu estamos só “em rede” e eu e o teu igual estamos ligados ao vivo e a cores. Admito que tinha um vício, sim, eu era viciada em falar contigo, em contar-te as coisas, as pessoas costumavam dizer que isso era grave para mim e que me fazia mal. Estou como que curada dessa doença que não o sendo era. Agora sou mais feliz do que era, e a realidade dos acontecimentos é maior. Não questiono o que tivemos e não duvido da amizade que temos agora. Penso que isto é uma mudança para melhor, não que seja bem uma mudança, é mais um melhoramento. Um brinde. Aos bons velhos tempos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Pedidos

Agora já me pedem para escrever, e eu a achar que ninguém lia isto. Tal como afinal existem pessoas que se riem das minhas piadas, existem pessoas que gostam verdadeiramente de ler o que escrevo no blog. Só tenho a dizer que nunca pensei que isto viesse a dar resultado, a princípio só escrevia porque sim, e nem sequer me importava com o que os outros achavam.
Para aqueles que se dão ao trabalho de ler, aqui vai disto:

Quase há um ano, foi quando 100% de Vida começou a preencher os meus serões de escrita e a acolher os meus pequenos trabalhos de pintura. Escrever alegra os dias daqueles que se sentem sozinhos mesmo rodeados de uma grande multidão. Escrever é aparentemente mais fácil do que falar. E a escrita que me ocupa grande parte do dia, já não faz só sentido para mim. Estou feliz por saber que uma ideia resultante de uma moda passageira, deu resultado, mesmo que tenha sido só para alguns. Escusado será dizer que agradeço.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Trabalhos Manuais #4 - Caixinhas e galinhas










Exposição dos meus mais recentes trabalhos. Que vos parece?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Uma e outra vez

Porque é que tudo teima em acontecer de novo? Talvez a culpa seja minha por não conseguir perceber que acabou antes de ter começado. Dia após dia tenho o mesmo pensamento a rodopiar na minha cabeça. Tento esquecer e não resulta. Gosto de sentir o que sinto, mas sei que me faz mal. Odeio dramas, mas ironicamente só sou capaz de os descrever. Fico sempre à espera de algo mais. Mais, por favor. Partilha os teus segredos comigo. Obrigada.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma aula de doidos!

(dedicado a todos aqueles que fazem parte do meu dia)

Vamos imaginar... 30 pessoas numa sala, das quais uma é um adulto. Imaginemos o adulto a falar, ou pelo menos a tentar, e 29 pessoas a terem um comportamento de quem está em pânico no meio de um fogo. E vamos juntar a isto uns gritos, papeis que voam, insultos, risos...
Que tal o termo "conversas paralelas"?! Acho que é perfeito. Depois temos as ideias baralhadas a querer saltar da cabeça dos seus portadores, o que quando não controlado gera uma grande confusão.
Claro que as 29 pessoas estão desejosas de ir embora, sonham em ir para casa, tal e qual como se estivessem presas à horas e horas, quando ainda só passaram 5 minutos. Também podemos considerar uns quantos momentos de desespero, depois de olhar para o relógio, tanto por parte dos 29 como por parte do adulto. Adulto esse que tenta marcar a sua presença falando um pouco mais alto.
Quando o toque da campainha invade a sala, surge uma agitação extrema, quase como espermatozoides que lutam para chegar ao óvulo (comparação ridícula, eu sei).
Imaginem um cenário de guerra, guerra verbal, não física. Agora, depois disto tudo, respondam: Onde posso arranjar paciência?